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Em todo esporte a combinação certa de resistência e força ajudam muito o atleta a vencer. Nos esportes de aventura, embora pareça o contrário, o a resistência é o fator mais importante, não dá pra dizer com precisão em que proporção estão tais fatores, mas é certo que conseguir manter um ritmo puxado sem que seus músculos começem a doer ou que cheguem as temidas caimbras - resultado também da fadiga - com certeza vai permitir ao cérebro pensar melhor, e acredite, numa corrida de aventura pensar é fundamental.

Os meus treinamentos, por pura falta de condição financeira, ainda não são acompanhados por um treinador ou treinadora especializado(a) em esportes de aventura, mas ao longo dos anos e com algum estudo eu aprendi alguns conceitos que me permitem me manter em forma.

Buscando ganhar mais resistência muscular que massa muscular, meus treinamentos basicamente são compostos de corridas ou cooper como alguns preferem chamar, com duração média de 35 minutos, 5 vezes por semana, e nas semanas que antecedem as provas esse tempo é mantido, porém a velocidade é menor e a frequência cai para 3 dias por semana. Na semana seguinte a uma prova, corro apenas duas vezes e numa frequência também menor.

Estes 35 minutos de corrida, começam com um trecho curto e plano, passando para um longo de subida e em seguida um outro longo de plano, ou semi-plano já que existem algumas baixas variações no terreno. Ao final desse trecho dou meia volta e refaço o percurso.

A subida ajuda a fortalecer a parte posterior das pernas, e exige mais do sistema cardio-respiratório, a descida, ao contrário do que todo mundo pensa, é também muito exigente, já que para não começar a rolar, é preciso segurar o peso na musculatura da parte frontal das pernas.

A duração da atividade com uma mesma carga de tensão, ou variável de forma que durante todo o tempo você esteja em atividade é que faz a resistência aumentar.

Ao treinar tenha atenção ao seu corpo, não abuse, não ultrapasse seus limites e mantenha uma carga de atividade que seu organismo seja capaz de suportar. Ninguém começa correndo 35 ou 40 minutos logo na primeira semana. Eu por exemplo comecei com corridas planas de 15 minutos, alternando sempre com pelo menos metade do tempo de caminhada leve.

Bons treinos, em breve mais novidades por aqui : )

O período que antecede uma competição deve ser de descanso, não há mais nada para melhorar em relação à performance do atleta, e ainda por cima, existe o sério risco de uma lesão prejudicar a prova.

Ainda sem saber qual o motivo, meus pés apresentaram uma inflamação na região do tornozelo na semana anterior à prova. Muito gelo e anti-inflamatório ajudaram a melhorar o quadro ao ponto de eu conseguir competir. No caminho para o local onde seria a prova, saindo de BH para Sta. Luzia, eu fui, dentro do carro, com gelo nos pés, a mesma coisa na volta pra casa.

Além dessa lesão nos pés, eu ainda levei um tombo monstro durante a prova, o que me garantiu ainda mais dores hoje, segunda-feira.

Nestes dias após uma corrida, a melhor coisa a fazer é relaxar, manter os horários de sono é o ideal, mas dormir um pouco mais no dia seguinte pode ser a saída para o organismo descansar. Os treinamentos devem ser mantidos, caso hajam condições físicas para tal, mas em um nível muito inferior, já que o desgaste da prova é muito grande. Eu particularmente não treino no dia seguinte à prova. Meu calendário de treinos é composto de corridas às segundas, quartas e sextas, e escaladas à terças e quintas, e escalada em rocha aos sábados e domingos, quando posso. Como as provas acontecem aos domingos, eu não treino nas segundas, e nas terças a escalada é bem leve. A corrida de quarta também é mais leve, e só volto a treinar normalmente na quinta e sexta se as dores musculares permitirem.

A regra de ouro é não se esforçar em demasia, nunca vá além do seu limite, quando perceber que não dá mais, pare imediatamente. Forçar demais pode provocar uma lesão o que pode te deixar fora de uma prova ou de várias provas.

A primeira etapa do Iron Racing deste ano foi ontem, dia 20 de janeiro, em Sta. Luzia/MG. O Iron Racing é um campeonato famoso pelo alto nível técnico das provas e por ter provas muito duras também, é Iron mesmo.

Cerca de 40 minutos antes da prova eu estava consideravelmente tenso, havia dormido mal na noite anterior devido a estréia da equipe, e ainda por cima estava preocupado pois estava usando um sistema totalmente novo e desconhecido para fazer os cálculos da planilha. E como na nossa categoria as planilhas só são entregues no momento do check-in, não haveria tempo hábil para fazer os cálculos duas vezes. E ao fazer uma glicemia capilar, percebi que minha glicose estava alta, 251 mg/dl, foi hora então de tomar uma dose de insulina rápida, 2ud de Humalog lispro, normalmente essa dose seria maior, mas como eu sabia que pela frente haveria uma prova muito difícil, optei por tomar uma dose menor.

medição antes da prova, 250mg/dl
A medição antes da prova, no visor um erro, eu ia tirando a fita quando
o Cláudio lembrou da foto, quando eu voltei ela, deu erro.

Talvez eu não deveria ter tomado nada de insulina, aproximadamente uma hora e meia depois, nós estávamos em um neutro de 40 segundos, era a hora de fazer outro exame. 59 mg/dl, muito abaixo do que eu esperava, mas normal, já que havíamos acabado de terminar um trecho de subida ingrime com aproximadamente 1km. Comi uma banana e voltamos para a prova, já que mais à frente teríamos outro neutro, com 2 minutos, e mais um pouco um neutro com 7 minutos, onde eu poderia fazer outro exame e me alimentar melhor.

medindo a glicemia no neutro medindo a glicemia no neutro medindo a glicemia no neutro

No neutro de 7 minutos, aproximadamente metade da prova, eu fiz outro exame 70mg/dl. Mas dessa vez eu tinha muita banana, melancia e água, além de tempo para me abastecer. Providencialmente melancia tem muita frutose, que ajuda a subir a glicose, e banana além da frutose tem potásio, evita as temidas. câimbras.

medindo a glicemia no neutro de 7 minutos água, banana e melancia no neutro de 7 minutos água, banana e melancia no neutro de 7 minutos água, banana e melancia no neutro de 7 minutos

Depois desse neutro não houve tempo para outra glicêmia antes do final da prova. Mas durante este último trecho, apressados devido a um suposto atraso, motivado por erros de cálculo, entramos correndo em uma decida muito íngreme, no meio dela meu pé esquerdo encontrou um obstáculo. Eu decolei, literalmente voei uns 2 metros (sem exagero) e só parei quando bati com as costelas em uma árvore. Felizmente eu nada tive além de escoriações, mas minha calça rasgou inteira, e, se eu não estivesse com uma bermuda por baixo, teria terminado a prova de cueca.

o que restou da minha calça depois do tombo

A glicemia do final da prova marcou 95mg/dl, uma medição muito boa para uma prova muito desgastante, 13 km, com muitos trechos de velocidade alta e muita subida, muitas subidas mesmo.

medindo a glicemia no final da prova medindo a glicemia no final da prova

Infelizmente não ficamos bem colocados, por ser a primeira prova da equipe, acredito que a colocação foi satisfatória, mas poderia ter sido melhor.

Domingo, 20 de Janeiro de 2008, primeira etapa do circuito Iron Racing de trekking. Enduro à pé ou trekking são corridas de regularidade ou velocidade, onde as equipes participantes precisam se orientar em trilhas, literalmente, no meio do mato.equipes no check-in

Equipes na fila para o check-in quando as planilhas são entregues

O circuito Iron Racing é uma corrida de regularidade, ou seja, na planilha que cada equipe recebe antes da prova, estão as distâncias, e a velocidade em que devem ser percorridas. Dividindo a velocidade pela distância tem-se o tempo, ou seja o tempo para percorrer aquele trecho.

eu e o Cláudio fazendo nossos cálculos

eu e o Cláudio fazendo nossos cálculos antes da largada

Este ano, a equipe AventuraDiet está correndo na categoria trekkers, pode-se dizer que seja uma categoria mais avançada, e no Iron Racing é a categoria intermediária, entre os novatos, e os graduados. Nesta categoria recebemos a planilha no dia da prova, no momento do check-in. Ou seja, no máximo, duas horas antes da prova começar.

adversários fazendo as contas
Equipes adversárias fazendo as contas
adversários largando

Uma equipe adversária no momento da largada

Nossa largada foi às 10:16:00, sim os segundos contam muito, pois se você andar mais rápido ou mais devagar do que deveria, irá passar nos PCs (postos de controle) adiantado ou atrasado, e para cada segundo adiantado, sua equipe perde 2 pontos, atrasado, 1 ponto. Quanto menos pontos perdidos, melhor sua colocação. E claro, os PCs não são indicados na planilha.

Os PCs podem ser virtuais ou de tempo, nos virtuais, dependendo da prova, você tem que responder alguma pergunta, nesta etapa, os PCs virtuais nos pediam a distância percorrida desde o incio do trecho. Para saber isso você precisa de duas coisas: 1. estar atento e saber onde você está, em qual trecho da planilha, em qual referência, etc… 2. saber quantos metros andou desde o inicio do trecho, ou em relação à última referencia.

A medição das distâncias não é feita usando um gps ou outro aparelho, mas sim contando os passos, isso mesmo, contando os passos. Cada equipe tem o seu ou os seus contadores de passos, estes medem a distância média de seus passos, e depois dividem as metragens indicadas pela distância média dos passos, para saber quantos passos deverão dar até um determinado ponto.

Cláudio e, à frente os adversários

Cláudio e, à frente os adversários

Na prova de ontem, o Cláudio foi o contador de passos, oficial, já que eu também contei em alguns trechos. Quando encontrávamos um pc virtual, era ele quem multiplicava os passos dados, pela distância média dos passos dele e dava a distância do trecho, e ele foi quase perfeito. Das 24 equipes competindo, cada uma com um contador de passos oficial, o Cláudio foi o 9o. colocado. Parabéns Cláudio! : )

A prova correu bem, de acordo com meu cronômetro, estávamos zerando a maioria dos PCs, ou passando bem perto de zerá-los. Chegamos no neutro (área para descanso) de 7 minutos com folga, saímos um pouco atrasados, mas pouco depois já estávamos zerando os PCs novamente. Bom, era isso que achávamos. Por um erro meu, sim, 100% meu, ao usar uma planilha que eu nunca havia usado, no computador, para auxiliar os cálculos, eu errei em todas as referências de neutro, e isso nos fez adiantar em todos, ou quase todos, os PCs da prova. Com isso perdemos muitos pontos, no total 18.836 pontos, o que na classificação geral colocou nossa equipe na 21a. posição.

eu, por eu mesmo

Eu por eu mesmo durante a primeira metade da prova

Para uma primeira prova dessa dupla, Cláudio e eu, sem havermos treinado antes, e com uma semana corrida como tivemos, além do problema com a planilha, acreditamos que fomos bem. Não vacilamos com referências e nem nas contagens de passos, tanto que o Cláudio foi o nono colocado no Passo de Ouro, e em nenhuma hora nos perdemos.

comilança no neutro
Banana, água e muita melancia no neutro de 7 minutos, quase metade da prova
melancia!!!

O único acidente de todo o percurso foi um tombo monstro que eu tive. estávamos em uma decida, muito ingrime, achando que estávamos atrasados, correndo, quando eu tropecei e decolei. Voei uns 2 metros e encontrei, ou melhor, minhas costelas encontraram, uma árvore, a pancada foi forte, rasgou toda a minha calça, e se eu não corresse com uma bermuda por baixo da calça, teria terminado a prova de cueca. Mas felizmente eu não tive nada além de escoriações, e alguns segundos depois eu já estava de volta à prova.

minha calça depois do tombo
O que restou da minha calça depois do tombo.
eu depois do final da prova
No final da prova, com joelhos esfolados, sujo e muito cansado
troféus para os vencedores
troféus para os vencedores
alguns dos vencedores
alguns vencedores
prova social, litros de leite doados...
segundo a organização, cerca de 300 litros de leite foram doados pelos competidores
para uma insituição de caridade de BH.

Dia 17 de fevereiro tem mais, desta vez em Lavras Novas/MG. Estaremos lá.

O treinamento começou em dezembro de 2007. Após algumas tentativas de iniciar o treinamento ao longo do ano, todas interrompidas pelos estudos ou trabalho, finalmente em dezembro eu pude voltar a treinar.

As festas de fim de ano significaram uma pausa, mas tão logo passaram eu voltei às ruas, sim, às ruas. Corridas de 30 minutos, com aclives e declives, para recuperar a forma física.

Na última semana, entre 13 e 19 de janeiro, voltei também às paredes, boldering em uma acadêmia perto de casa, mas depois de dois anos sem escalar, os calos não aguentaram e abriram. Mãos feridas e um job de última hora e pra ontem (em design tudo é pra ontem) me impediram de voltar à parede na quinta feira.

Sexta e sábado de descanço e arrumação, e amanhã acontece a primeira etapa do Iron Racing, o campeonato de enduro à pé, em que eu e um grande amigo, Claúdio, participaremos defendendo a equipe do AventuraDiet.

O Cláudio não é diabético, o que por um lado é muito bom, afinal de contas, caso eu tenha uma hipoglicemia, comum em atividades físicas de longa duração, é ele quem, se necessário vai me socorrer.

Amanhã, domingo dia 20/janeiro, depois da prova, post novo aqui para contar como foi. Enquanto isso, algumas fotos para vocês verem o dia de hoje. Aferição de passos meus e do Cláudio na garagem do prédio onde moro, e equipamentos prontos para serem guardados na pochete que usarei durante a prova.

pochete com equipamentos
pochete com equipamentos.

meus pés ao lado de uma fita métrica de 20 mts
andando ao lado de uma trena de 20mts, e contando quantos passos dei neste trecho

eu outra vez
outra foto minha ao lado da trena (fita métrica).

Cláudio medindo os passos
Meu companheiro de equipe, Cláudio medindo seus passos também.

mais fotos no meu flickr!

Há 4 anos, quase 5, quando descobri, em meio a um intenso treinamento, que eu era diabético, num primeiro instante o mundo veio à baixo, e embora não demonstrasse era à noite que as lagrimas vinham abaixo. Mas essas mesmas lágrimas que me fizeram pensar em desistir, foram as que me deram força para lutar.

E na raça surgiu a primeira versão deste site, pretenciosa demais, ela levou quase 4 meses para ficar pronta e durou apenas 1 ano e pouco. Fora do ar durante quase 3 ou 4 anos, o projeto amadureceu, assim como eu. Sem tempo durante esse período, os estudos (falcudades de turismo e design gráfico) e o trabalho consumiam todo o tempo que eu tinha, não pude colocar o projeto novamente no ar.

Agora, com algum tempo a mais, o AventuraDiet volta ao ar. O objetivo, mostrar que diabéticos podem, e, devem, praticar esportes de aventura. Aqui o dia-a-dia de um diabético será narrado, treinamentos, competições, eventos, evoluções no tratamento, meus erros e acertos, minhas aventuras, a aventura de ser diabético.

Welcome aboard!

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