Aventuradiet
Jan 13th, 2008 by Rafael Apocalypse
Em 2003 decidi que iria escalar, solo (sozinho, sem acompanhantes) o Pico da Neblina. Não foi uma decisão louca e precipitada, nem mesmo desprovida de preparo.
Em 2003 eu era um escalador ativo - por ativo entenda que eu escalava várias vezes por semana, tanto indoor como outdoor -, era estudante de turismo, adorava planejamento turístico, e, acreditava que ser o primeiro escalador a atingir o topo do Brasil, solo e documentando toda a expedição poderia agregar algum valor ao meu curriculum.
A preparação para uma expedição como essa engloba duas importantes fases, não únicas, mas essas são importantes para explicar como tudo isso começou, a primeira fase é o processo onde ganhamos resistência física, aumentamos a capacidade pulmonar e treinamos duro. Nessa fase eu pedalava quase 70km todas as manhãs, seguida uma dieta rígida e ainda tinha outras atividades físicas, além da escalada. Ou seja eu consumia muita energia diariamente. Na segunda fase entramos num período de engorda, o objetivo é ganhar peso, afinal de contas vamos precisar de massa durante as quase duas semanas de aproximação e escalada.
Na transição da primeira fase para a segunda, comecei a me sentir mal. Urinava várias vezes a cada hora, tinha hálito acetonado, e me sentia muito cansado. Como sou muito magro, e sempre fui, a perda de 10kg quase não foi percebida. Depois de alguns dias onde minha familia achava que eu usava drogas ou bebia demais, e eu quase tinha certeza de que estava diabético, fomos, eu e meu pai a uma endocrinologista.
Dra. Anelise Impelizzieri Nogueria, que ainda hoje é minha médica, foi quem constatou, 490mg/dl, enquanto uma pessoa normal tem medições de glicemia capilar variando entre 90mg/dl e 110mg/dl, eu estava com 490. O Diagnóstico não poderia ser diferente: Diabetes.
Eu desconfiava pelo fato de meu pai, ter sido diabético, e exatamente 11 meses antes do meu diagnóstico, meu pai havia passado por um transplante de rim e pâncreas, que o curou do diabetes e dos problemas renais decorrentes do diabetes, diga-se de passagem, mal cuidado, de quase 30 anos.
A primeira conclusão, após o diagnóstico, era de que a expedição deveria ser abortada. Minha principal alimentação seria composta de carboidratos, que para diabéticos são quase um veneno. Além disso, tanto tempo sozinho, em ambiente hostil, sem resgate fácil e sem alimentação adequada significavam um grande risco.
Como eu gosto muito de esportes de aventura, decidi estudar sobre a relação entre esportes de aventura e diabetes. Não encontrei nada, nenhum artigo sequer que tratasse do assunto. Foi assim que surgiu a ideia do aventuradiet, um site para falar sobre esportes de aventura para diabéticos.
O site ficou no ar durante um ano e pouco, depois o excesso de trabalho, a falta de tempo e dificuldade de atualização me forçaram a retirar o site do ar. Durante quase 3 anos, uma mensagem solicitava aos visitantes que se inscrevessem para serem avisados quando o site voltasse ao ar. Isso acontece agora, Janeiro de 2008.
A proposta é a mesma, esportes de aventura para diabéticos, mas o formato é diferente. Junto do meu retorno aos esportes de aventura, enduro à pé, mountainbiking e escalada, vou relatar aqui minhas experiências, meus aprendizados, meus erros e meus acertos, algumas notícias relacionadas à saúde e diabetes, e também sobre esportes de aventura.
Você pode ajudar esse site a crescer, continuar on-line e a ter conteúdo fresco e de qualidade. Seja apoiando financeiramente o projeto, a equipe aventuradiet de corrida de aventura ou nos ajudando com conteúdo e/ou divulgação do site. Se você quiser e puder apoiar essa idéia, entre em contato, serás muito bem vindo.
Rafael Apocalypse

Beleza? ficou muito boa a sua matéria sobre o Iron… será que vc poderia me enviar a logo da Aventura Diet para eu por um link no site da Iron?
Abraços,